Conteúdo discutido neste post
- O que é a síndrome de Dravet?
- Por que falar sobre Dravet?
- Como a síndrome de Dravet costuma começar?
- Causas e genética: qual é o papel do gene SCN1A?
- Tipos de crises epilépticas na síndrome de Dravet
- Sintomas além das crises
- Gatilhos que podem favorecer crises
- Diagnóstico e exames
- Tratamento e controle das crises
- Medicamentos que podem piorar crises em Dravet
- Plano de emergência para crises prolongadas
- Desenvolvimento, aprendizagem e reabilitação
- Cuidados no dia a dia e qualidade de vida
- Possíveis complicações
- Mitos e verdades
- FAQ rápido
- Aviso importante (disclaimer de saúde)
- Como a VirtualCare pode ajudar
- Referências e leituras recomendadas
O que é a síndrome de Dravet?
A síndrome de Dravet é uma epilepsia genética rara e grave, geralmente iniciada no primeiro ano de vida, em uma criança que até então parecia ter desenvolvimento normal.
Ela faz parte do grupo das encefalopatias epilépticas e do desenvolvimento, termo usado quando as crises epilépticas e a alteração neurológica de base podem afetar o desenvolvimento cognitivo, motor, comportamental e a qualidade de vida.
Na síndrome de Dravet, as crises costumam ser frequentes, prolongadas, difíceis de controlar e podem ser desencadeadas por febre, aumento da temperatura corporal, infecções, vacinas, calor, esforço físico, luzes piscantes ou privação de sono.
Com o passar do tempo, além das crises, muitas crianças podem apresentar atraso do desenvolvimento, dificuldades de linguagem, alterações de marcha, problemas comportamentais, distúrbios do sono e necessidade de acompanhamento multidisciplinar.
Importante: a síndrome de Dravet não é apenas uma “convulsão febril forte”. É uma condição neurológica complexa, que exige diagnóstico cuidadoso, tratamento especializado e orientação contínua da família.
Por que falar sobre Dravet?
O dia 23 de junho é lembrado internacionalmente como uma data de conscientização sobre a síndrome de Dravet.
Mesmo assim, mais do que falar sobre a data, é fundamental explicar a doença.
A síndrome de Dravet ainda é pouco conhecida fora dos círculos especializados. Isso pode atrasar o diagnóstico, confundir os primeiros sintomas com crises febris comuns e dificultar o acesso a orientações adequadas.
Informação de qualidade ajuda familiares, cuidadores, educadores e profissionais de saúde a reconhecer sinais de alerta e compreender que crianças com Dravet precisam de um plano de cuidado amplo, contínuo e individualizado.
Também é importante combater a ideia de que epilepsia é sempre igual. Existem muitos tipos de epilepsia, com causas, prognóstico e tratamentos diferentes.
A síndrome de Dravet é um exemplo claro de como identificar o tipo correto de epilepsia pode mudar escolhas terapêuticas e evitar medicamentos que podem piorar as crises.
Como a síndrome de Dravet costuma começar?
A síndrome de Dravet geralmente começa no primeiro ano de vida, frequentemente entre 4 e 12 meses de idade.
O primeiro sinal costuma ser uma crise convulsiva prolongada, muitas vezes associada à febre ou a um aumento da temperatura corporal.
Essa primeira crise pode ter algumas características importantes:
- Ocorre em um bebê que antes parecia se desenvolver normalmente.
- Pode ser prolongada, durando mais do que uma crise febril típica.
- Pode afetar um lado do corpo, com movimentos em apenas um braço, uma perna ou metade do corpo.
- Pode surgir após febre, infecção, banho quente, calor excessivo ou vacinação.
- Pode se repetir em episódios posteriores, com ou sem febre.
- Pode exigir atendimento de urgência por duração prolongada.
Nos primeiros meses ou anos, pode haver confusão com convulsão febril simples, especialmente quando os exames iniciais não mostram alterações marcantes.
Com o tempo, no entanto, o padrão costuma se tornar mais sugestivo, com crises recorrentes, diferentes tipos de crise e maior dificuldade de controle.
Importante: nem toda crise febril prolongada é síndrome de Dravet. Porém, crises muito longas, repetidas, focais, em bebê pequeno ou associadas a piora do desenvolvimento devem ser avaliadas com atenção.
Causas e genética: qual é o papel do gene SCN1A?
A síndrome de Dravet é, na maioria dos casos, causada por alterações genéticas que afetam a excitabilidade dos neurônios.
O gene mais frequentemente associado é o SCN1A, responsável por instruções relacionadas a canais de sódio importantes para o funcionamento das células nervosas.
Alterações nesse gene podem prejudicar o equilíbrio entre excitação e inibição no cérebro, facilitando a ocorrência de crises epilépticas.
Na maior parte dos casos, a alteração genética surge de forma nova na criança, sem que os pais tenham a mesma variante. Esse tipo de alteração é chamado de variante de novo.
Isso significa que, frequentemente, a síndrome de Dravet não aparece porque “alguém fez algo errado” durante a gestação, parto ou cuidados com o bebê.
Alguns pontos importantes sobre a genética da Dravet incluem:
- O gene SCN1A é o mais associado à síndrome de Dravet.
- Nem toda alteração em SCN1A causa síndrome de Dravet.
- Algumas pessoas com quadro clínico compatível podem não ter variante identificada nos testes disponíveis.
- Outros genes também podem estar relacionados a quadros semelhantes.
- O aconselhamento genético pode ser importante para orientar a família.
Importante: o resultado genético deve ser interpretado junto com a história clínica, tipo de crise, idade de início, evolução do desenvolvimento e avaliação neurológica.
Tipos de crises epilépticas na síndrome de Dravet
A síndrome de Dravet pode causar diferentes tipos de crises epilépticas ao longo da vida.
Essa diversidade pode dificultar o reconhecimento da condição, especialmente no início.
Entre os tipos de crise que podem ocorrer estão:
- Crises clônicas: movimentos repetitivos e rítmicos, que podem envolver um lado do corpo ou o corpo todo.
- Crises tônico-clônicas: perda de consciência associada a rigidez e movimentos convulsivos.
- Crises hemiclônicas: movimentos convulsivos predominando em um lado do corpo.
- Crises mioclônicas: abalos rápidos e breves, como “sustos” ou puxões musculares.
- Crises de ausência atípica: episódios de olhar parado, redução da resposta e alteração breve da consciência.
- Crises focais: crises que começam em uma região específica do cérebro e podem causar manifestações variadas.
- Estado de mal epiléptico: crise prolongada ou crises repetidas sem recuperação adequada entre elas.
As crises podem mudar de padrão com a idade.
Em alguns períodos, podem ser mais frequentes as crises associadas à febre. Em outros, podem surgir crises sem febre, crises mioclônicas, ausências atípicas ou crises durante o sono.
Importante: a descrição detalhada das crises, quando possível com vídeos gravados pela família, pode ajudar muito o neurologista na avaliação.
Sintomas além das crises
Embora as crises epilépticas sejam a manifestação mais conhecida, a síndrome de Dravet pode afetar várias áreas do desenvolvimento e do funcionamento diário.
Algumas crianças podem apresentar desenvolvimento aparentemente normal no início, mas depois evoluir com dificuldades progressivas.
Possíveis manifestações além das crises incluem:
- Atraso no desenvolvimento motor.
- Atraso de linguagem.
- Dificuldades de aprendizagem.
- Alterações de coordenação motora.
- Marcha instável ou alterações para caminhar.
- Distúrbios do sono.
- Dificuldades de atenção.
- Hiperatividade ou impulsividade.
- Características do espectro autista em alguns pacientes.
- Alterações comportamentais.
- Dificuldades alimentares ou de crescimento em alguns casos.
- Maior sensibilidade ao calor e à febre.
O grau de comprometimento varia de pessoa para pessoa.
Alguns pacientes apresentam maior autonomia, enquanto outros precisam de suporte contínuo nas atividades diárias.
Por isso, o cuidado não deve se limitar ao controle das crises. O desenvolvimento, a comunicação, o sono, a escola, a segurança e o bem-estar da família também fazem parte do tratamento.
Gatilhos que podem favorecer crises
Na síndrome de Dravet, algumas situações podem aumentar a chance de crises.
Reconhecer gatilhos ajuda a família a criar estratégias de prevenção e segurança, embora nem todas as crises possam ser evitadas.
Gatilhos frequentes incluem:
- Febre.
- Infecções.
- Aumento da temperatura corporal.
- Banho muito quente.
- Calor excessivo.
- Exercício intenso em ambiente quente.
- Privação de sono.
- Estresse físico importante.
- Luzes piscantes ou estímulos visuais em alguns pacientes.
- Vacinação, geralmente por febre ou resposta inflamatória associada, não por “causar” a síndrome.
É importante diferenciar gatilho de causa.
A febre ou a vacina podem desencadear uma crise em uma criança predisposta, mas não são consideradas a causa genética da síndrome de Dravet.
Importante: decisões sobre vacinação devem ser discutidas com o médico. Em geral, a prevenção de infecções também é muito importante, pois infecções podem provocar febre e desencadear crises.
Diagnóstico e exames
O diagnóstico da síndrome de Dravet é baseado na combinação de história clínica, padrão das crises, idade de início, evolução do desenvolvimento, exame neurológico e investigação complementar.
No início da doença, alguns exames podem ser normais, o que pode atrasar a suspeita diagnóstica.
A avaliação pode incluir:
- Descrição detalhada das crises.
- Histórico de febre, infecções, vacinação, calor ou outros gatilhos.
- Idade de início dos episódios.
- Duração das crises.
- Presença de crises focais, hemiclônicas ou prolongadas.
- Avaliação do desenvolvimento infantil.
- Eletroencefalograma.
- Ressonância magnética do encéfalo, quando indicada.
- Testes genéticos, especialmente painel para epilepsias ou análise do gene SCN1A.
Eletroencefalograma
O eletroencefalograma, ou EEG, avalia a atividade elétrica cerebral.
Em fases iniciais, ele pode ser normal ou pouco específico. Com a evolução, pode mostrar alterações compatíveis com epilepsia, mas o resultado deve ser interpretado dentro do contexto clínico.
Ressonância magnética
A ressonância magnética pode ser solicitada para investigar outras causas de crises, especialmente quando há achados neurológicos específicos ou dúvida diagnóstica.
Na síndrome de Dravet, a ressonância pode ser normal, principalmente no início.
Teste genético
O teste genético pode confirmar uma variante associada à síndrome e ajudar na orientação terapêutica e familiar.
No entanto, um teste genético deve ser interpretado com cautela. Nem toda variante encontrada explica o quadro, e nem todo paciente com suspeita clínica terá uma alteração identificada.
Importante: a suspeita clínica é essencial. Esperar que todos os exames estejam alterados desde o início pode atrasar o diagnóstico.
Tratamento e controle das crises
O tratamento da síndrome de Dravet é individualizado e deve ser acompanhado por médico com experiência em epilepsias, frequentemente neurologista infantil ou epileptologista.
O objetivo é reduzir frequência, duração e gravidade das crises, melhorar segurança, proteger o desenvolvimento e apoiar a família.
Como a síndrome de Dravet costuma ser uma epilepsia de difícil controle, muitas crianças precisam de combinação de estratégias.
Medicamentos anticonvulsivantes
Alguns medicamentos são usados com frequência no tratamento da síndrome de Dravet, dependendo do caso, disponibilidade, idade, efeitos colaterais e resposta individual.
Opções que podem ser consideradas por especialistas incluem:
- Valproato.
- Clobazam.
- Stiripentol.
- Canabidiol farmacêutico em contextos específicos.
- Fenfluramina em contextos específicos.
- Topiramato em alguns casos.
- Levetiracetam em alguns pacientes.
- Medicamentos de resgate para crises prolongadas, como benzodiazepínicos prescritos para uso em emergência.
A escolha depende de avaliação médica individualizada.
Nem todo medicamento está disponível em todos os países ou contextos, e nem todo paciente responde da mesma forma.
Dieta cetogênica
A dieta cetogênica pode ser considerada em alguns casos de epilepsia de difícil controle.
Ela é uma dieta terapêutica, com proporções específicas de gorduras, proteínas e carboidratos, planejada para modificar o metabolismo cerebral e reduzir crises em alguns pacientes.
Não deve ser iniciada por conta própria.
Esse tipo de dieta exige acompanhamento médico e nutricional, monitoramento de crescimento, exames laboratoriais e orientação cuidadosa para reduzir riscos.
Estimulação do nervo vago e outras estratégias
Em pacientes selecionados, outras opções podem ser discutidas, como estimulação do nervo vago.
A indicação depende da resposta aos medicamentos, perfil das crises, idade, condições clínicas e avaliação especializada.
Importante: a síndrome de Dravet raramente é resolvida com uma única medida. O tratamento costuma envolver plano contínuo, ajustes ao longo do tempo e acompanhamento multidisciplinar.
Medicamentos que podem piorar crises em Dravet
Um ponto fundamental na síndrome de Dravet é que alguns medicamentos usados em outros tipos de epilepsia podem piorar crises em pacientes com Dravet.
Isso acontece especialmente com alguns bloqueadores de canais de sódio.
Medicamentos que podem agravar crises em muitos pacientes com síndrome de Dravet incluem:
- Carbamazepina.
- Oxcarbazepina.
- Fenitoína, especialmente como uso contínuo.
- Lamotrigina em muitos casos.
- Vigabatrina em alguns contextos.
Essa lista não substitui orientação médica. Existem situações específicas em que decisões emergenciais ou terapêuticas podem exigir análise individual.
O ponto principal é que o diagnóstico correto ajuda a evitar escolhas que podem piorar o quadro.
Importante: nunca suspenda anticonvulsivantes por conta própria. A interrupção abrupta pode causar crises graves. Qualquer mudança deve ser feita com orientação médica.
Plano de emergência para crises prolongadas
Crianças com síndrome de Dravet podem apresentar crises prolongadas e risco de estado de mal epiléptico.
Por isso, muitas famílias precisam de um plano de emergência por escrito, elaborado com o médico.
Esse plano pode incluir:
- Como reconhecer uma crise habitual da criança.
- Quando iniciar contagem do tempo.
- O que fazer nos primeiros minutos.
- Quando usar medicamento de resgate.
- Qual dose usar e por qual via, conforme prescrição.
- Quando acionar serviço de emergência.
- Quais informações levar ao pronto atendimento.
- Quais medicamentos a criança usa regularmente.
- Quais medicamentos devem ser evitados.
- Contato do médico assistente, quando aplicável.
Primeiros cuidados durante uma crise
Durante uma crise convulsiva, algumas medidas de segurança são importantes:
- Colocar a criança de lado, se possível e com segurança.
- Afastar objetos que possam causar ferimentos.
- Não colocar nada na boca.
- Não tentar segurar a língua.
- Não oferecer água, alimentos ou medicamentos por boca durante a crise.
- Observar duração e características da crise.
- Usar medicação de resgate apenas se prescrita e conforme orientação.
- Procurar emergência se a crise for prolongada, diferente do habitual ou se houver dificuldade respiratória, trauma ou recuperação inadequada.
Importante: crise convulsiva prolongada é uma emergência. Famílias de pacientes com Dravet devem receber instruções claras sobre quando procurar atendimento urgente.
Desenvolvimento, aprendizagem e reabilitação
O cuidado na síndrome de Dravet vai além do controle das crises.
Muitas crianças se beneficiam de acompanhamento multidisciplinar para apoiar desenvolvimento, comunicação, mobilidade, comportamento e aprendizagem.
Profissionais que podem participar do cuidado incluem:
- Neurologista infantil ou epileptologista.
- Pediatra.
- Fisioterapeuta.
- Terapeuta ocupacional.
- Fonoaudiólogo.
- Psicólogo.
- Psicopedagogo ou equipe escolar especializada.
- Nutricionista, especialmente se houver dieta cetogênica ou dificuldades alimentares.
- Geneticista ou profissional de aconselhamento genético, quando indicado.
O suporte escolar também é importante.
Crianças com Dravet podem precisar de adaptações pedagógicas, plano individualizado, orientação para professores e medidas de segurança no ambiente escolar.
A escola deve saber reconhecer crises, acionar a família, seguir o plano de emergência e evitar situações de risco, como exposição excessiva ao calor ou atividades sem supervisão adequada.
Importante: cada criança com Dravet é única. O plano educacional e terapêutico deve respeitar habilidades, limitações, segurança e potencial de desenvolvimento individual.
Cuidados no dia a dia e qualidade de vida
A síndrome de Dravet tem grande impacto na rotina familiar.
Além das crises, existe preocupação constante com febre, sono, medicamentos, emergências, escola, atividades físicas e segurança.
Algumas medidas podem ajudar no dia a dia:
- Manter horários regulares de sono.
- Evitar privação de sono.
- Tratar febre precocemente conforme orientação médica.
- Evitar superaquecimento.
- Planejar atividades físicas com cuidado, especialmente em ambientes quentes.
- Manter lista atualizada de medicamentos.
- Ter plano de emergência acessível.
- Orientar familiares, cuidadores e escola.
- Usar pulseira, cartão ou documento com informações médicas importantes, quando possível.
- Evitar banhos sem supervisão adequada.
- Redobrar cuidado com piscina, mar, banheira e locais com risco de afogamento.
- Manter acompanhamento regular com a equipe de saúde.
O cuidado também deve incluir a saúde emocional dos pais e cuidadores.
Conviver com uma epilepsia rara e imprevisível pode causar medo, exaustão, ansiedade e sobrecarga.
Buscar apoio, dividir responsabilidades e receber orientação adequada não é sinal de fraqueza. É parte essencial do cuidado.
Possíveis complicações
A síndrome de Dravet pode estar associada a complicações importantes, especialmente quando as crises são frequentes ou prolongadas.
Possíveis complicações incluem:
- Estado de mal epiléptico.
- Traumas durante crises.
- Afogamento em situações sem supervisão.
- Queimaduras ou acidentes relacionados a perda de consciência.
- Atrasos do desenvolvimento.
- Dificuldades cognitivas e comportamentais.
- Distúrbios do sono.
- Impacto emocional e familiar.
- Maior risco de morte súbita inesperada em epilepsia, conhecida como SUDEP.
SUDEP significa morte súbita inesperada em epilepsia.
Esse é um tema difícil, mas importante. O objetivo de conversar sobre ele não é causar medo, e sim reforçar a importância de acompanhamento adequado, controle das crises, adesão ao tratamento, plano de emergência e medidas de segurança.
Importante: famílias devem receber informações realistas, acolhedoras e proporcionais ao caso. O diálogo sobre riscos deve ser feito com sensibilidade e orientação profissional.
Mitos e verdades
“Síndrome de Dravet é apenas uma convulsão febril mais forte.”
Mito.
“A síndrome de Dravet geralmente começa no primeiro ano de vida.”
Verdade.
“O gene SCN1A está frequentemente associado à síndrome de Dravet.”
Verdade.
“Toda criança com crise febril tem síndrome de Dravet.”
Mito.
“Alguns medicamentos usados em epilepsia podem piorar crises em pacientes com Dravet.”
Verdade.
“Vacinas são a causa da síndrome de Dravet.”
Mito.
“Febre e aumento da temperatura corporal podem desencadear crises em crianças com Dravet.”
Verdade.
“O tratamento envolve apenas remédio para convulsão.”
Mito.
“A família precisa de orientação sobre plano de emergência.”
Verdade.
FAQ rápido
Síndrome de Dravet tem cura?
Atualmente, a síndrome de Dravet não costuma ser considerada uma condição curável. O tratamento busca reduzir crises, prevenir emergências, apoiar o desenvolvimento e melhorar qualidade de vida.
A síndrome de Dravet é hereditária?
Na maioria dos casos, a alteração genética surge de novo na criança. Mesmo assim, o aconselhamento genético pode ser importante para entender riscos familiares e orientar futuras gestações.
Todo paciente com Dravet tem alteração no SCN1A?
Não. A maioria tem variantes associadas ao SCN1A, mas nem todos os casos clinicamente compatíveis terão alteração identificada nesse gene.
Crise febril prolongada significa Dravet?
Não necessariamente. Muitas crianças têm crises febris e não têm Dravet. Porém, crises prolongadas, repetidas, focais, em bebê pequeno ou associadas a atraso do desenvolvimento merecem avaliação especializada.
Vacina causa síndrome de Dravet?
Não se considera que vacinas causem a síndrome de Dravet. Em algumas crianças predispostas, febre ou resposta inflamatória após vacinação pode desencadear uma primeira crise ou uma crise adicional. A orientação vacinal deve ser discutida com o médico.
Crianças com Dravet podem ir à escola?
Muitas podem frequentar a escola, mas podem precisar de adaptações, plano de segurança, orientação da equipe escolar e suporte educacional individualizado.
Canabidiol pode ser usado em Dravet?
Em alguns contextos, formulações farmacêuticas de canabidiol podem fazer parte do tratamento de epilepsias específicas, incluindo Dravet. A indicação, dose, segurança, interações e disponibilidade devem ser avaliadas pelo médico.
A síndrome de Dravet melhora com a idade?
O padrão das crises pode mudar com o tempo, e alguns pacientes podem ter redução de determinados tipos de crise. No entanto, a condição costuma exigir acompanhamento por toda a vida.
O que fazer se a crise durar muito?
Siga o plano de emergência orientado pelo médico. Crises prolongadas, dificuldade respiratória, trauma, coloração arroxeada, recuperação inadequada ou crise diferente do habitual exigem atendimento urgente.
Aviso importante (disclaimer de saúde)
Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação médica. A síndrome de Dravet é uma epilepsia rara e complexa que deve ser acompanhada por profissional de saúde, preferencialmente com experiência em epilepsias. Crises prolongadas, crises repetidas sem recuperação adequada, dificuldade para respirar, coloração arroxeada, trauma, sonolência persistente, piora neurológica, febre em criança com epilepsia grave ou qualquer crise diferente do habitual devem ser avaliadas com urgência. Não inicie, suspenda ou troque medicamentos anticonvulsivantes sem orientação médica.
Como a VirtualCare pode ajudar
A VirtualCare pode ajudar na avaliação inicial de sintomas, revisão da história clínica, orientação sobre sinais de alerta, organização de informações para levar ao especialista e interpretação inicial de exames já realizados.
Em casos suspeitos ou confirmados de síndrome de Dravet, o atendimento pode orientar a necessidade de acompanhamento com neurologista infantil, epileptologista, genética médica, equipe de reabilitação e avaliação presencial quando indicada.
A VirtualCare também pode auxiliar familiares na compreensão de medidas gerais de segurança, importância do plano de emergência, cuidados com febre, sono, gatilhos e adesão ao tratamento.
Em situações de crise prolongada, dificuldade respiratória, trauma, rebaixamento de consciência, coloração arroxeada ou sintomas graves, a orientação adequada é procurar serviço de urgência imediatamente.
Referências e leituras recomendadas
- International League Against Epilepsy (ILAE). Classification and information on developmental and epileptic encephalopathies.
- GeneReviews. SCN1A seizure disorders and Dravet syndrome.
- National Organization for Rare Disorders (NORD). Dravet syndrome.
- Dravet Syndrome Foundation. Medical information and caregiver resources on Dravet syndrome.
- Epilepsy Foundation. Dravet syndrome: overview, diagnosis and treatment.
- Orphanet. Dravet syndrome.
- National Institute of Neurological Disorders and Stroke (NINDS). Epilepsy and seizure disorders information.
- National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Epilepsies in children, young people and adults.
- Wirrell EC, Nabbout R. Recent advances in the drug treatment of Dravet syndrome. CNS Drugs.
- Gataullina S, Dulac O. From genotype to phenotype in Dravet disease. Seizure.


