Conteúdo discutido neste post
- O que é hepatite D?
- Por que a hepatite D depende da hepatite B?
- Hepatite D e hepatite delta são a mesma coisa?
- Coinfecção e superinfecção: qual é a diferença?
- Como ocorre a transmissão?
- Situações que aumentam o risco
- O que não transmite hepatite D?
- Sintomas da hepatite D
- Por que a hepatite D pode ser grave?
- Quem deve investigar hepatite D?
- Diagnóstico e exames
- Anti-HDV e HDV-RNA: qual é a diferença?
- Como avaliar o fígado?
- Tratamento da hepatite D
- Hepatite D tem cura?
- Possíveis complicações
- Hepatite D e câncer de fígado
- Hepatite D na gravidez
- Como prevenir a hepatite D?
- Existe vacina contra hepatite D?
- Diferenças entre hepatite B, C e D
- Mitos e verdades
- FAQ rápido
- Aviso importante (disclaimer de saúde)
- Como a VirtualCare pode ajudar
- Referências e leituras recomendadas
O que é hepatite D?
A hepatite D é uma infecção causada pelo vírus da hepatite D, também chamado de HDV ou vírus delta.
Ela afeta o fígado e pode causar inflamação aguda ou crônica.
A principal característica da hepatite D é que ela não acontece sozinha.
O vírus da hepatite D precisa da presença do vírus da hepatite B para conseguir se multiplicar e causar infecção.
Isso significa que uma pessoa só pode ter hepatite D se também tiver hepatite B ativa ou se adquirir os dois vírus ao mesmo tempo.
A hepatite D é considerada uma das formas mais graves de hepatite viral crônica, porque pode acelerar a progressão para cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado.
Importante: prevenir hepatite B também previne hepatite D. Essa é uma das razões pelas quais a vacinação contra hepatite B é tão importante.
Por que a hepatite D depende da hepatite B?
O vírus da hepatite D é considerado um vírus incompleto ou defeituoso.
Ele possui seu próprio material genético, mas não consegue formar uma partícula viral completa sem ajuda do vírus da hepatite B.
Para se espalhar no organismo, o HDV usa uma proteína do vírus da hepatite B chamada HBsAg, que é o antígeno de superfície da hepatite B.
O HBsAg funciona como parte do envelope externo do vírus.
Sem essa estrutura, o vírus da hepatite D não consegue completar seu ciclo de vida de forma eficiente.
Por isso, a hepatite D só ocorre em pessoas que têm HBsAg positivo, ou seja, pessoas com infecção ativa pelo vírus da hepatite B.
Em termos simples:
- Sem hepatite B ativa, não há hepatite D.
- Com hepatite B ativa, a hepatite D pode ocorrer se houver exposição ao vírus delta.
Essa dependência muda completamente a prevenção, o diagnóstico e o tratamento da doença.
Hepatite D e hepatite delta são a mesma coisa?
Sim.
Hepatite D e hepatite delta são dois nomes para a mesma infecção.
O termo “delta” vem da identificação histórica do agente viral associado a casos mais graves de hepatite em pessoas com hepatite B.
Atualmente, os termos mais usados são:
- Hepatite D.
- Hepatite delta.
- Infecção pelo HDV.
- Vírus da hepatite D.
Todos se referem à infecção causada pelo vírus da hepatite D.
Coinfecção e superinfecção: qual é a diferença?
A hepatite D pode acontecer de duas formas principais: coinfecção ou superinfecção.
Coinfecção
A coinfecção ocorre quando a pessoa adquire hepatite B e hepatite D ao mesmo tempo.
Nesse cenário, o organismo enfrenta os dois vírus durante a fase aguda.
Algumas pessoas podem eliminar os dois vírus, especialmente quando a infecção ocorre na idade adulta.
No entanto, a coinfecção pode causar hepatite aguda intensa e, em alguns casos, insuficiência hepática aguda.
Superinfecção
A superinfecção ocorre quando uma pessoa que já tem hepatite B crônica adquire o vírus da hepatite D depois.
Esse cenário costuma ser mais preocupante.
Como o vírus da hepatite B já está presente no organismo, o HDV encontra as condições necessárias para se multiplicar.
A superinfecção pode aumentar muito o risco de hepatite crônica ativa, progressão rápida para cirrose e complicações hepáticas.
Importante: em uma pessoa com hepatite B crônica, uma piora inesperada das enzimas do fígado pode levantar a suspeita de hepatite D, entre outras causas.
Como ocorre a transmissão?
A hepatite D é transmitida por vias semelhantes às da hepatite B, porque depende da presença do HBV.
A transmissão pode ocorrer por contato com sangue ou fluidos corporais infectados.
Principais formas de transmissão incluem:
- Compartilhamento de agulhas e seringas.
- Compartilhamento de materiais usados para injetar drogas.
- Contato com sangue contaminado.
- Relações sexuais sem proteção com pessoa infectada.
- Uso de instrumentos não esterilizados em tatuagens, piercings ou procedimentos estéticos.
- Compartilhamento de lâminas, alicates, escovas de dente ou objetos que possam conter sangue.
- Acidentes com agulhas ou materiais perfurocortantes.
- Transmissão da mãe para o bebê, embora o padrão possa variar conforme a presença e atividade da hepatite B.
Assim como na hepatite B, pequenas quantidades de sangue podem ser suficientes para transmitir o vírus.
A transmissão não exige que o sangue esteja claramente visível.
Situações que aumentam o risco
O risco de hepatite D é maior em pessoas que têm hepatite B e se expõem a situações de transmissão do HDV.
Entre os principais fatores de risco estão:
- Infecção crônica pelo vírus da hepatite B.
- Uso de drogas injetáveis.
- Compartilhamento de agulhas, seringas ou materiais de preparo.
- Relações sexuais sem preservativo com maior risco de exposição.
- Múltiplos parceiros sexuais.
- Coinfecção por HIV.
- Histórico de infecções sexualmente transmissíveis.
- Tatuagens ou piercings em locais sem controle adequado.
- Procedimentos médicos, odontológicos ou estéticos com esterilização inadequada.
- Hemodiálise em contextos de risco.
- Contato ocupacional com sangue.
- Viver ou ter vivido em áreas onde a hepatite D é mais comum.
- Contato domiciliar ou sexual com pessoa infectada, dependendo do contexto.
A distribuição da hepatite D varia muito entre regiões do mundo.
Em alguns locais, a infecção é mais frequente entre pessoas com hepatite B crônica, usuários de drogas injetáveis, populações com maior vulnerabilidade social ou áreas com menor acesso à vacinação e diagnóstico.
O que não transmite hepatite D?
A hepatite D não é transmitida pelo contato social comum.
Ela não é transmitida por:
- Abraços.
- Aperto de mão.
- Beijo social.
- Tosse.
- Espirro.
- Compartilhamento de pratos e talheres.
- Uso do mesmo banheiro.
- Convivência no trabalho ou na escola.
- Água ou alimentos.
Também não há necessidade de separar objetos domésticos comuns, como copos, pratos ou talheres.
No entanto, objetos que possam ter contato com sangue não devem ser compartilhados.
Isso inclui lâminas, escovas de dente, alicates, agulhas e instrumentos cortantes.
Sintomas da hepatite D
Os sintomas da hepatite D podem variar bastante.
Algumas pessoas apresentam poucos sintomas, enquanto outras desenvolvem quadros graves.
Na fase aguda, possíveis sintomas incluem:
- Cansaço intenso.
- Fraqueza.
- Mal-estar.
- Perda de apetite.
- Náuseas.
- Vômitos.
- Dor ou desconforto na parte superior direita do abdômen.
- Febre baixa.
- Dores musculares.
- Dores nas articulações.
- Urina escura.
- Fezes claras.
- Pele e olhos amarelados.
- Coceira.
Em casos de doença crônica, a pessoa pode permanecer sem sintomas por muito tempo.
Quando já existe cirrose ou comprometimento avançado do fígado, podem surgir:
- Inchaço nas pernas.
- Aumento do volume abdominal.
- Facilidade para formar hematomas.
- Sangramentos.
- Confusão mental.
- Sonolência excessiva.
- Perda de massa muscular.
- Icterícia persistente.
- Vômitos com sangue ou fezes escurecidas em casos de sangramento digestivo.
Importante: sintomas avançados podem indicar descompensação do fígado e exigem avaliação médica urgente.
Por que a hepatite D pode ser grave?
A hepatite D pode causar inflamação hepática intensa.
Quando ocorre em uma pessoa com hepatite B crônica, pode acelerar o processo de cicatrização do fígado.
Isso aumenta o risco de fibrose avançada, cirrose e insuficiência hepática.
A infecção pelo HDV também pode aumentar o risco de câncer de fígado, especialmente quando há cirrose.
O problema é que a doença pode evoluir de forma silenciosa durante parte do processo.
Por isso, muitas pessoas só descobrem hepatite D quando já apresentam alterações importantes no fígado ou quando investigam hepatite B crônica.
Importante: toda pessoa com hepatite B crônica deve conversar com seu médico sobre a necessidade de testar hepatite D.
Quem deve investigar hepatite D?
A investigação de hepatite D deve ser considerada principalmente em pessoas com hepatite B ativa.
Isso inclui pessoas com HBsAg positivo.
A testagem pode ser especialmente importante quando há:
- Diagnóstico de hepatite B crônica.
- Enzimas do fígado elevadas sem explicação clara em pessoa com hepatite B.
- Hepatite B com evolução mais agressiva do que o esperado.
- Cirrose em pessoa com hepatite B.
- Uso atual ou anterior de drogas injetáveis.
- Coinfecção por HIV.
- Histórico de exposição a sangue.
- Risco sexual aumentado.
- Origem ou residência em regiões onde a hepatite D é mais comum.
- Contato próximo ou sexual com pessoa com hepatite D.
As recomendações de rastreamento podem variar conforme país e protocolo local.
Em muitos contextos, testar hepatite D em pessoas com HBsAg positivo é uma estratégia importante para não perder diagnósticos.
Diagnóstico e exames
O diagnóstico da hepatite D depende de exames de sangue.
Como a infecção só ocorre em pessoas com hepatite B ativa, a avaliação normalmente inclui testes para os dois vírus.
Exames relacionados à hepatite B
Podem incluir:
- HBsAg.
- Anti-HBs.
- Anti-HBc total.
- Anti-HBc IgM em suspeita de infecção aguda.
- HBeAg e anti-HBe em alguns casos.
- HBV-DNA, ou carga viral da hepatite B.
O HBsAg positivo indica que a pessoa tem infecção ativa pelo vírus da hepatite B.
Sem HBsAg positivo, a hepatite D não consegue se manter no organismo.
Exames relacionados à hepatite D
Podem incluir:
- Anti-HDV total.
- Anti-HDV IgM em alguns contextos.
- HDV-RNA, também chamado de carga viral da hepatite D.
O anti-HDV ajuda a identificar contato com o vírus da hepatite D.
O HDV-RNA confirma se há replicação viral ativa.
Exames de função hepática
Também podem ser solicitados:
- ALT e AST.
- Bilirrubinas.
- Albumina.
- Tempo de protrombina ou INR.
- Fosfatase alcalina.
- Gama-GT.
- Hemograma.
- Função renal.
Esses exames ajudam a avaliar inflamação, função do fígado e gravidade do quadro.
Anti-HDV e HDV-RNA: qual é a diferença?
Anti-HDV e HDV-RNA são exames diferentes.
Anti-HDV
O anti-HDV é um exame de anticorpos.
Ele indica que o sistema imunológico teve contato com o vírus da hepatite D.
Um resultado positivo sugere exposição ao HDV, mas nem sempre confirma que o vírus esteja ativo naquele momento.
HDV-RNA
O HDV-RNA detecta diretamente o material genético do vírus no sangue.
Quando está detectável, indica infecção ativa pelo vírus da hepatite D.
Esse exame também pode ser usado para acompanhar resposta ao tratamento em alguns casos.
Importante: para entender a situação real, os resultados devem ser interpretados junto com HBsAg, exames da hepatite B, enzimas do fígado e avaliação clínica.
Como avaliar o fígado?
Após suspeita ou confirmação de hepatite D, é importante avaliar o grau de comprometimento do fígado.
Essa avaliação ajuda a estimar risco, definir tratamento e planejar acompanhamento.
Podem ser utilizados:
Exames laboratoriais
Exames de sangue ajudam a avaliar inflamação e função hepática.
Alterações em albumina, bilirrubina, plaquetas e INR podem sugerir doença mais avançada.
Ultrassom abdominal
O ultrassom pode avaliar tamanho e aspecto do fígado, presença de nódulos, líquido no abdômen e sinais indiretos de cirrose ou hipertensão portal.
Elastografia hepática
A elastografia mede a rigidez do fígado.
Quanto maior a rigidez, maior pode ser o grau de fibrose.
É um exame não invasivo e útil no acompanhamento de hepatites crônicas.
Endoscopia digestiva
Em pessoas com cirrose, a endoscopia pode ser indicada para avaliar varizes no esôfago ou estômago.
Rastreamento de câncer de fígado
Pessoas com cirrose ou risco aumentado podem precisar de rastreamento periódico para carcinoma hepatocelular.
Esse acompanhamento geralmente envolve ultrassom e, em alguns casos, exames de sangue ou imagem complementar.
Importante: a avaliação do fígado deve continuar mesmo quando os sintomas são leves ou ausentes.
Tratamento da hepatite D
O tratamento da hepatite D deve ser acompanhado por médico com experiência em doenças do fígado, como hepatologista, infectologista ou gastroenterologista.
A abordagem depende de:
- Tipo de infecção.
- Presença de hepatite B crônica.
- Atividade da hepatite D.
- Grau de fibrose ou cirrose.
- Função do fígado.
- Presença de outras infecções, como HIV ou hepatite C.
- Disponibilidade de medicamentos no país.
Controle da hepatite B
Como a hepatite D depende da hepatite B, avaliar e controlar o HBV é parte importante do cuidado.
Medicamentos usados para hepatite B podem reduzir a replicação do HBV, mas nem sempre controlam diretamente o vírus da hepatite D.
Mesmo assim, tratar a hepatite B quando indicado ajuda a reduzir risco hepático geral.
Interferon peguilado
O interferon peguilado pode ser utilizado em casos selecionados de hepatite D crônica.
Ele atua estimulando respostas imunológicas contra o vírus.
No entanto, nem todos os pacientes podem usar esse tratamento.
Ele pode ter efeitos adversos importantes e não é indicado em várias situações, especialmente em doença hepática descompensada.
Medicamentos específicos para HDV
Em alguns países, medicamentos específicos contra hepatite D, como bulevirtida, podem estar disponíveis para determinados pacientes.
A disponibilidade varia conforme aprovação regulatória, sistema de saúde, custo e protocolos locais.
Outras terapias estão em estudo ou podem estar disponíveis em contextos específicos.
Transplante de fígado
Em casos de cirrose avançada, insuficiência hepática ou câncer de fígado dentro de critérios específicos, o transplante hepático pode ser considerado.
Importante: o tratamento da hepatite D não deve ser conduzido por conta própria. É necessário acompanhamento especializado.
Hepatite D tem cura?
A resposta depende do tipo de infecção e do contexto clínico.
Na coinfecção aguda por hepatite B e D, algumas pessoas conseguem eliminar os dois vírus.
Na hepatite D crônica, o tratamento é mais desafiador.
O objetivo pode incluir:
- Reduzir a replicação viral.
- Controlar a inflamação hepática.
- Diminuir risco de progressão para cirrose.
- Reduzir risco de insuficiência hepática.
- Reduzir risco de câncer de fígado.
A eliminação sustentada do vírus pode ser difícil em muitos casos.
Por isso, o acompanhamento contínuo é essencial.
Importante: mesmo quando não há sintomas, a hepatite D crônica pode continuar causando dano ao fígado.
Possíveis complicações
A hepatite D pode causar complicações importantes, especialmente quando se torna crônica ou ocorre em pessoas com hepatite B crônica.
Possíveis complicações incluem:
- Hepatite aguda grave.
- Insuficiência hepática aguda.
- Fibrose hepática acelerada.
- Cirrose.
- Hipertensão portal.
- Varizes no esôfago ou estômago.
- Ascite, que é acúmulo de líquido no abdômen.
- Encefalopatia hepática.
- Coagulopatia.
- Insuficiência hepática crônica.
- Câncer de fígado.
- Necessidade de transplante hepático.
Os riscos aumentam quando há consumo de álcool, coinfecções, obesidade, diabetes, gordura no fígado ou ausência de acompanhamento médico.
Hepatite D e câncer de fígado
A hepatite D pode aumentar o risco de carcinoma hepatocelular, especialmente em pessoas que desenvolvem cirrose.
O risco está relacionado à inflamação crônica, cicatrização progressiva do fígado e interação com a hepatite B.
Pessoas com cirrose ou risco elevado podem precisar de rastreamento periódico para câncer de fígado.
Esse rastreamento pode incluir ultrassom hepático e exames complementares conforme orientação médica.
Importante: tratar e acompanhar hepatite B e D reduz riscos, mas pessoas com cirrose continuam precisando de vigilância regular.
Hepatite D na gravidez
A hepatite D na gravidez exige acompanhamento especializado.
Como o HDV depende da hepatite B, a avaliação deve incluir marcadores do HBV, carga viral da hepatite B e situação clínica da gestante.
O bebê deve receber as medidas de prevenção contra hepatite B ao nascer, conforme protocolos locais.
Essas medidas geralmente incluem vacina contra hepatite B e, em muitos casos, imunoglobulina específica contra hepatite B quando indicada.
Prevenir hepatite B no recém-nascido também é a forma central de prevenir a possibilidade de hepatite D associada.
As decisões sobre tratamento durante a gestação devem ser individualizadas.
Importante: gestantes com hepatite B ou D devem ter acompanhamento pré-natal especializado e planejamento das medidas de prevenção para o bebê.
Como prevenir a hepatite D?
A prevenção da hepatite D começa pela prevenção da hepatite B.
Como o HDV não se mantém sem o HBV, evitar hepatite B impede hepatite D.
Medidas de prevenção incluem:
- Vacinação contra hepatite B.
- Uso de preservativo em situações de risco.
- Não compartilhar agulhas ou seringas.
- Não compartilhar materiais usados para injetar drogas.
- Não compartilhar lâminas, escovas de dentes, alicates ou objetos cortantes.
- Escolher locais seguros e regularizados para tatuagem e piercing.
- Exigir materiais descartáveis ou esterilizados em procedimentos.
- Usar equipamentos de proteção em atividades com risco de sangue.
- Realizar testagem para hepatite B e D quando houver fatores de risco.
- Tratar e acompanhar hepatite B quando indicada.
Pessoas com hepatite B crônica devem evitar exposições que possam transmitir ou adquirir outros vírus, incluindo hepatite D.
Existe vacina contra hepatite D?
Não existe uma vacina específica contra hepatite D.
No entanto, a vacina contra hepatite B previne indiretamente a hepatite D, porque o HDV precisa do vírus da hepatite B para causar infecção.
Uma pessoa vacinada e protegida contra hepatite B não desenvolve hepatite D, pois não terá o HBsAg necessário para o vírus delta se manter.
Por isso, a vacinação contra hepatite B é a principal estratégia de prevenção da hepatite D.
Importante: quem já tem hepatite B crônica não é protegido contra hepatite D apenas por tomar vacina depois. Nesses casos, a prevenção depende de evitar exposição ao HDV e manter acompanhamento médico.
Diferenças entre hepatite B, C e D
Hepatites B, C e D podem afetar o fígado e se tornar crônicas, mas são doenças diferentes.
Hepatite B
- É causada pelo vírus HBV.
- Pode ser transmitida por sangue, relações sexuais e da mãe para o bebê.
- Pode ser aguda ou crônica.
- Existe vacina.
- O tratamento pode controlar o vírus em muitos casos.
Hepatite C
- É causada pelo vírus HCV.
- É transmitida principalmente pelo sangue.
- Frequentemente se torna crônica.
- Não existe vacina.
- Pode ser curada na maioria dos casos com antivirais modernos.
Hepatite D
- É causada pelo vírus HDV.
- Só ocorre em pessoas com hepatite B ativa.
- Pode acontecer como coinfecção com hepatite B ou superinfecção em quem já tem hepatite B crônica.
- Não existe vacina específica, mas a vacina contra hepatite B previne hepatite D.
- Pode ser mais agressiva e acelerar a progressão da doença hepática.
Importante: hepatite D não é uma “versão” da hepatite C. Ela está biologicamente ligada à hepatite B.
Mitos e verdades
“Hepatite D só ocorre em pessoas com hepatite B.”
Verdade.
“Hepatite D é a mesma coisa que hepatite C.”
Mito.
“A vacina contra hepatite B ajuda a prevenir hepatite D.”
Verdade.
“Existe uma vacina específica contra hepatite D.”
Mito.
“Uma pessoa com hepatite B crônica pode adquirir hepatite D depois.”
Verdade.
“Hepatite D sempre causa sintomas logo no início.”
Mito.
“A hepatite D pode acelerar a evolução para cirrose.”
Verdade.
“Abraçar ou compartilhar talheres transmite hepatite D.”
Mito.
“Objetos que podem conter sangue não devem ser compartilhados.”
Verdade.
“Pessoas com hepatite B devem conversar com o médico sobre testagem para hepatite D.”
Verdade.
FAQ rápido
O que é hepatite D?
É uma infecção causada pelo vírus da hepatite D, que afeta o fígado e só ocorre em pessoas que também têm hepatite B ativa.
Hepatite D e hepatite delta são a mesma coisa?
Sim. Hepatite delta é outro nome para hepatite D.
Posso ter hepatite D sem hepatite B?
Não. O vírus da hepatite D depende do vírus da hepatite B para se manter no organismo.
Como se pega hepatite D?
A transmissão ocorre por contato com sangue ou fluidos corporais infectados, de forma semelhante à hepatite B.
Hepatite D passa pelo beijo?
O beijo social não é uma forma habitual de transmissão. O principal risco envolve sangue e fluidos corporais em situações específicas.
Hepatite D passa por comida ou água?
Não. Diferentemente da hepatite A e da hepatite E, a hepatite D não é transmitida por água ou alimentos contaminados.
Quem tem hepatite B deve testar hepatite D?
Muitas pessoas com HBsAg positivo podem se beneficiar da avaliação para hepatite D, especialmente se houver fatores de risco, enzimas hepáticas alteradas ou doença hepática avançada.
Hepatite D tem tratamento?
Sim, mas o tratamento é mais complexo que em algumas outras hepatites virais e deve ser conduzido por especialista.
Hepatite D tem cura?
Em alguns casos agudos pode haver eliminação viral. Na forma crônica, a resposta ao tratamento é variável e o acompanhamento contínuo é essencial.
Existe vacina contra hepatite D?
Não existe vacina específica contra hepatite D, mas a vacina contra hepatite B previne a hepatite D ao impedir a infecção pelo HBV.
Quem já tem hepatite B se protege da hepatite D tomando vacina?
A vacina contra hepatite B previne infecção em quem ainda não tem HBV. Quem já tem hepatite B crônica precisa evitar exposição ao HDV e manter acompanhamento médico.
Hepatite D pode causar câncer de fígado?
Pode aumentar o risco, principalmente em pessoas com cirrose ou doença hepática crônica avançada.
Aviso importante (disclaimer de saúde)
Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação médica. Pessoas com hepatite B, HBsAg positivo, alterações persistentes nas enzimas do fígado, exposição a sangue, uso compartilhado de agulhas, relações sexuais de risco ou histórico de procedimentos com material não esterilizado devem conversar com um profissional de saúde sobre testagem e acompanhamento. Icterícia intensa, vômitos com sangue, fezes pretas, aumento importante do abdômen, confusão, sonolência intensa, sangramentos, febre persistente ou piora súbita do estado geral exigem atendimento médico urgente. Não inicie, interrompa ou altere antivirais, suplementos, chás ou medicamentos sem orientação profissional.
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A VirtualCare pode ajudar na avaliação inicial de fatores de risco para hepatite B e D, orientação sobre testagem, interpretação de exames e esclarecimento de dúvidas sobre transmissão, prevenção e vacinação.
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Quando há suspeita ou confirmação de hepatite D, pode ser necessário encaminhamento para infectologia, hepatologia ou gastroenterologia, especialmente se houver hepatite B crônica, fibrose, cirrose ou sinais de doença hepática avançada.
Em casos de icterícia intensa, confusão, sangramentos, vômitos com sangue, fezes pretas, aumento importante do abdômen ou piora rápida, o paciente deve procurar atendimento presencial ou serviço de urgência.
Referências e leituras recomendadas
- World Health Organization (WHO). Hepatitis D: overview, transmission, prevention and treatment.
- Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Hepatitis D: transmission, testing and prevention.
- European Association for the Study of the Liver (EASL). Clinical practice guidelines on hepatitis delta virus infection.
- American Association for the Study of Liver Diseases (AASLD). Hepatitis B and hepatitis D guidance.
- European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC). Hepatitis B and D epidemiology and prevention.
- National Health Service (NHS). Hepatitis D: causes, symptoms and treatment.
- Mayo Clinic. Hepatitis D: symptoms, causes and risk factors.
- Cleveland Clinic. Hepatitis D: diagnosis and treatment.
- Merck Manual Professional Version. Hepatitis D.
- National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases (NIDDK). Viral hepatitis and chronic liver disease.


